04 março, 2010

S/título


Maria Madalena, a contrita,

No confessionário ajoelhada,

Tenta expiar-se mas não vê purgada

A sua natureza sibarita.


Ecoando o que lhe pregam, recita

Nove ave marias, seis padre nossos,

Enquanto dedos gordos e grossos

Lhe ascendem o vestidinho de chita...


Ora, hora após hora, mil suspiros

Que ressoam na nave à meia-luz,

Fazendo luzir-lhe os seios: diospiros


Maduros nas mãos do senhor abade.

Travessa, espia a efígie de Jesus...

Juro ouvir-lhe um riso à Marquês de Sade...