15 janeiro, 2009
Sansão e Dalila
Enquanto ele dormia, a traidora
Castrou sua trança pela calada
Com uma velha adaga enferrujada
E espalhou-a pela cúmplice aurora.
Ao acordar, sentindo-se impotente,
Tentou juntar todas as suas forças
P'ra afastar as colunares e grossas
Coxas da amante leoa fremente.
Mas a lâmina foi-lhe ao coração,
Nem sangue tem nas veias, é mercúrio
Morno que rasga o corpo de Sansão.
Mas Dalila, a de cabelo purpúreo,
Ri-se ante o inútil esforço vão
Do corpo quebrado do amante espúrio.
Engavetado em
Alexandre Homem Dual,
Op. "Insanabile Cacoethes Scribendi",
Poesia