14 janeiro, 2013

O Cheiro das Rosas

Hei-de queimar rosas,
meu amor.

Depois de arrancar meus olhos como
cortasse os espinhos de uma roseira
brava, hei-de queimar as rosas nas
órbitas vazias  como pequenos faróis
que te mostrem por onde ir.

Cleópatra
abeberou as velas violetas
da sua barcaça dourada em água de
rosas para embriagar de amores
os ventos gentis; eu hei-de soprar
a chama
das tuas velas e fazer-te ir. Sim, ir 

ir simplesmente  lá para onde
o dilúculo envergonhado atira as ondas
dos teus cabelos contra a orla do
meu corpo, lá onde as adagas se nos
espetam na carne e as serpentes nos
percorrem a pele e os teus lábios nus
têm o sabor da cicuta, lá onde a brisa tem
o cheiro das rosas, meu amor.